Gerações Baby Boomer, X e Y: um breve olhar.

Sexta, 18 de Novembro de 2011, 19:31 h por Vanessa Fernandes
Choques de gerações são bem comuns de ocorrer. Pais que pensam diferente dos filhos, que pensam diferente dos pais, avós e por aí vai.

Com a mudança do modo de produção nos últimos cinquenta anos, da distribuição do tempo e da tecnologia, as gerações passaram a ser determinadas por um espaço de tempo menor do que os séculos anteriores.

Se dentro da estrutura familiar é normal existir conflitos, reflexo de pensamentos de épocas distintas, o que dirá dentro da estrutura de trabalho, não é?

Durante uma crise no trabalho, muita gente não se dá conta de que a responsável pelos atritos é a forma de pensar de gerações diferentes.

Como podemos balancear as visões para que todos se entendam e a produtividade aumente?

Um bom início é entender um pouco as características das três gerações em questão: a geração Baby Boomer, geração X e geração Y.


Geração Baby Boomer – Nascidos no Pós-Guerra em meados da década de 40, e 50, é a geração que conquistou o direito de ser jovem e criou o que conhecemos como “young lifestyle”. É a juventude revolucionária que experimentou a liberdade em seu sentido mais amplo e que foi para as ruas manifestar suas insatisfações.
Os Baby Boomers gostam da estabilidade profissional e costumam vestir a camisa da empresa por anos, décadas. São presos à níveis hierárquicos e planos de carreira. Muitos deles são os atuais presidentes de grandes empresas.


Geração X – Nascidos entre os anos 60 e 70. É a geração da competitividade, que conquistou a individualidade, gosta da ostentação e é apegada à níveis hierárquicos para demonstrar mérito e valor. Priorizam a carreira e são fãs de estereótipos: o nerd, o bonito, a sexy etc. Viram a tecnologia entrar em suas casas mas não são tão familiarizados e sedentos por ela como os jovens da geração Y. Combinam um pouco da experiência dos Baby Boomers e a energia da geração Y.



Geração Y – Nascidos nas décadas de 80 e 90. É a geração da ansiedade, impulsividade e quebra de paradigmas. Buscam aliar trabalho e prazer, não respeitam níveis de hierarquia, são inovadores, e querem crescer rápido. Se um jovem da geração Y não estiver satisfeito no trabalho, rapidamente muda para outro. São altamente conectados e consumidores de muita informação,  o que os deixa extremamente ansiosos e necessitados de organizar suas experiências on line.
É a geração da pluralidade, que gosta de ser várias coisas ao mesmo tempo: surfista, designer, cinéfilo e o que mais escolher.
Têm energia e costumam produzir rapidamente. Fazem várias coisas ao mesmo tempo, como ouvir música, navegar na internet e trabalhar. Gostam de executar e necessitam de estímulos constantemente.


Como se pode ver, com tantas gerações distintas trabalhando juntas, é natural que hajam atritos. E normalmente, as crises envolvem um jovem da geração Y.

Há casos em que o Y chefia um departamento, o que frustra a geração X, que esperava por esse cargo e intimida a geração Baby Boomer que não aceita ser gerenciado por alguém bem mais novo.
Situações como o jovem Y ir falar diretamente ao superior Baby Boomer, passando pela hierarquia do jovem X também causam desconforto.
Outro exemplo ocorre em reuniões longas. O jovem Y costuma se entediar e busca distrações como mexer no celular, o que é considerado desrespeito por parte das outras gerações.


As empresas começam a perceber a necessidade de renovação e de adequação à nova geração que não está disposta a abrir mão da qualidade de vida e que acredita que a competência está acima da hierarquia. Gostam de participar dos processos, aprender e contribuir. São abertos à novos modelos de trabalho mas são impulsivos e gostam de subir rápido na carreira.

Razões que mantém os Baby Boomers receosos por treinar os mais jovens, o que dificulta o processo de transição, já que a tendência natural é essa geração deixar o mercado de trabalho gradualmente.

O que ocorre é que os Baby Boomers fazem parte da geração que se preparou durante toda a carreira para ter uma posição de destaque e por isso tem dificuldades em assimilar o dinamismo da geração Y. Eles não se identificam com a atitude e personalidade dos mais jovens e consequentemente não tem interesse em treinar os novatos para ocuparem seus lugares.

Outra questão que as empresas precisam contornar são as inseguranças da geração X. Acostumados a trabalhar e esperar “o seu momento chegar” para ascender profissionalmente, eles tem medo de perder cargos para uma geração que se demonstre mais enérgica e inovadora do que eles. Com isso, muitas vezes um X não aceita as idéias de um Y e aí acaba ocorrendo uma disputa de atenções.

As empresas inteligentes disponibilizam seus talentos conforme a identificação das particularidades de cada geração. Para a consultora de recursos humanos da empresa Foco, Eline Kullock, se ela tivesse que alocar pessoas em uma função de planejamento,  a Geração Baby Boomer, com sua experiência, seria a ideal para a função; a Geração X, com o seu senso prático, seria a das posições orçamentárias e a Geração Y, impulsiva e enérgica, seria a melhor para executar e inovar.

É importante ter a consciência das diferenças entre as gerações para que todos saibam ouvir e respeitar a opinião do outro profissional. Assim, é possível agregar mais produtividade, deixar inseguranças de lado e contribuir para o crescimento coletivo e, consequentemente, empresarial.

A chave está no diálogo e abertura de mente para as novidades. Afinal, em breve, chegará ao mercado de trabalho, mais uma geração, ainda mais conectada e ágil, a geração Z.

É esperar para ver.
Até mais!



Para entender melhor:

-     We all want to be young -> uma análise de comportamento das 3 gerações.

-     Especial do Jornal da Globo -> 5 vídeos debatendo, analisando e exemplificando a convivência entre as gerações. Bem interessante.