Trabalhar com o coração.

Quinta, 01 de Setembro de 2011, 04:29 h por Vanessa Fernandes

Imagine a cena.

Você é um recrutador de uma empresa e deve escolher entre dois candidatos realmente bons no que fazem. Estudaram em excelentes faculdades, trabalharam em lugares conhecidos e renomados, falam três línguas e são viajados.

Como decidir entre eles?

Você resolve então fazer um teste simples. Cada candidato terá que escrever uma redação contando sua visão da profissão e a maneira como lidaram com os problemas do trabalho.

Um candidato fala sobre as dificuldades que teve para vencer os obstáculos, de como sofreu para retirar as pedras do caminho e descreve, de maneira eloquente, porém fria, sua relação com a profissão.

O outro discorre entusiasticamente sobre como começou na carreira e de sua paixão pela mesma. Comenta sobre as estratégias seguidas para superar dificuldades e o quão importante elas foram para ultrapassar seus limites e se tornar um profissional melhor.

Não é muito difícil dizer o candidato que se saiu bem, não é?

Embora ambos sejam qualificados e capazes, o segundo candidato demonstrou entusiasmo, encarou as dificuldades como oportunidades, mostrou comprometimento, paixão, amor pelo o que faz.

Não existe aquela história, “tudo que fazemos com amor fica melhor?

Pois é. E não é para menos. Quando botamos esse pequeno grande ingrediente em todas as nossas ações, é praticamente certo que teremos sucesso em algum momento. Porque o amor nos leva a acreditar que algo é sim possível de ser feito, resolvido, criado.

E quando você acredita, então tem a força necessária para persistir, superar os seus limites em nome daquele resultado que você deseja muito que aconteça.

Se pararmos para pensar, as grandes figuras da nossa história mundial amavam o que faziam e isso lhes dava inspiração para colocar uma grande dose de energia e tempo a fim de alcançar seus objetivos.

Leonardo da Vinci foi um deles. Nascido no século XV, filho bastardo de um tabelião com uma camponesa, em uma época em que ser filho bastardo era fator limitador social, ele nunca desistiu de se superar e atingir um patamar de genialidade única. O preconceito não o impediu de se tornar uma das mentes mais brilhantes da história porque ele acreditava em seu trabalho. Da Vinci, foi um grande pintor, escultor, engenheiro, inventor, anatomista e cientista.

Ele tinha verdadeira paixão por descobrir, ir à lugares que nenhum homem havia chegado. O seu maior desejo era saciar sua curiosidade sem fim, o que acabou o tornando um homem visionário, muito à frente de seu tempo.

É claro que não precisamos ser um Leonardo da Vinci, mas podemos sim, fazer a diferença trabalhando naquilo que amamos. Há gente que pensa que para conseguir “vencer na vida” é preciso priorizar as escolhas que são vantajosas financeiramente, e esquecem que ter prazer com o seu trabalho é algo importante a ser considerado para ter uma vida saudável e feliz.

Não é raro termos como resultado desse tipo de opção, pessoas “bem-sucedidas” em termos de dinheiro, porém infelizes e frustradas em suas vidas pessoais. Sentimentos desse tipo, acabam levando ao estresse e depressão, doenças que vão deteriorando progressivamente a saúde mental e física do indivíduo.

Além do que, quem foi que disse que não é possível ganhar dinheiro com o que se ama? É tudo uma questão de acreditar no seu potencial, trabalhar com vontade, amor e persistência. Em algum momento os resultados aparecem.

A biológa Tessa Hoorda sabe bem da importância de amar o que se faz. Em sua palestra na TEDx São Paulo, evento colaborativo de propagação de novas idéias, a ex-competidora de corridas de aventura contou como é importante colocar o coração em tudo o que fazemos: “ Eu fiz a corrida de aventura e eu pus o meu coração, porque eu queria saber até onde eu ía chegar. (…) E eu tive o meu troco. Eu cheguei lá. A gente foi a melhor equipe de aventura do ano passado, eu competi no exterior, participei de campeonatos mundiais.”

Portanto, busque auto-conhecimento. Esteja atento aos seus sentimentos. Saiba o que lhe desperta amor e entusiasmo para seguir adiante, afinal, a vida é sua e a considerar o tempo que gastamos trabalhando, é melhor que ele seja no mínimo prazeroso, certo? Do contrário, será uma grande perda de tempo e energia  executar uma tarefa que não trará diferencial nenhum para si.

Como diria o naturalista Charles Darwin: “ Um homem que ousa desperdiçar uma hora de seu tempo, não descobriu o valor da vida”.

Até a próxima!